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É através de sobreposições de diferentes configurações faciais que
Leandro Selister constrói sua obra Identidades, 2000. Partindo de uma
fotografia de seu auto-retrato, o artista utiliza a manipulação da
imagem através do computador, imprimindo transformações na sua
identidade ao inserir por exemplo, diferentes cabelos e bigodes para
gerar diferentes aparências físicas até chegar a uma total
impessoalidade. Há, portanto, na arte contemporânea, uma crise do
sujeito individual. Este procedimento de descaracterização de
identidades, também foi estendido ao público : durante a primeira
exposição do trabalho, as identidades dos espectadores podiam ser
incorporadas à obra, isto é, sobrepostas à imagem matriz do
auto-retrato do artista realizando, assim, uma operação de fusão da
aparência física do contemplador que doasse um retrato 3x4 com a do
autor da obra. Com essa operação, o artista tende a diluir o traço de
caráter pessoal, tanto dele próprio como do retratado. As imagens são
impressas em adesivos e compartimentadas em caixas de cds. O trabalho
discute o mundo contemporâneo da montagem e da edição de imagens.
Texto de Niura Legramante Ribeiro para o catálogo da
exposição "Presenças Contemporâneas nas Pinacotecas
Municipais". Sala Berta-Locatelli, MARGS, RS |

Identidades,
2000
Caixas de CD e fotografia, 160x140cm |